INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E RECURSOS HUMANOS:
o uso de sistemas automatizados nos processos de recrutamento e seleção disponíveis no Brasil
Palavras-chave:
Gerenciamento algorítmico., Inteligência artificial., Recrutamento e seleção., Sistemas automatizados (ATS).Resumo
O artigo analisa o uso de sistemas automatizados, como os Applicant Tracking Systems (ATS), nos processos de recrutamento e seleção no Brasil, destacando o crescimento e a influência dessas tecnologias no mercado de trabalho. Metodologicamente, o trabalho mobiliza a Tecnografia proposta por Bucher (2018), em diálogo com a literatura sobre inteligência artificial, trabalho, discriminação algorítmica e opacidade tecnológica. Essa abordagem permite investigar artefatos digitais mesmo sem acesso ao seu código-fonte, observando suas interfaces, funcionalidades, discursos de apresentação, demonstrações, materiais publicitários, manuais e demais rastros públicos disponibilizados pelas próprias plataformas. Assim, em vez de tratar os sistemas como objetos inacessíveis ou inteiramente fechados, a Tecnografia permite examinar como eles se apresentam, quais ações prometem automatizar, quais problemas dizem resolver e quais formas de classificação, triagem e decisão tornam possíveis. Neste trabalho, esses materiais foram compreendidos como vestígios sociotécnicos que permitem identificar como determinadas funcionalidades atuam enquanto componentes de um sistema orientado à automação de decisões no recrutamento. Na pesquisa, identificamos cinco plataformas principais que utilizam inteligência artificial (IA) para funções como triagem automatizada, geração de entrevistas, recrutamento proativo, automação de comunicação e análise preditiva. Embora essas ferramentas prometam eficiência e neutralidade, o artigo alerta para riscos como a ampliação de práticas discriminatórias e a falta de transparência nos algoritmos, muitas vezes operando como "caixas pretas". A discussão crítica aborda os impactos jurídicos e sociais dessas tecnologias, questionando sua capacidade de garantir decisões justas em um contexto marcado por assimetrias de poder.
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