INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E RECURSOS HUMANOS:

o uso de sistemas automatizados nos processos de recrutamento e seleção disponíveis no Brasil

Autores

  • Marcos Aragão Couto de Oliveira Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
  • Fabricio Barili Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

Palavras-chave:

Gerenciamento algorítmico., Inteligência artificial., Recrutamento e seleção., Sistemas automatizados (ATS).

Resumo

O artigo analisa o uso de sistemas automatizados, como os Applicant Tracking Systems (ATS), nos processos de recrutamento e seleção no Brasil, destacando o crescimento e a influência dessas tecnologias no mercado de trabalho.  Metodologicamente, o trabalho mobiliza a Tecnografia proposta por Bucher (2018), em diálogo com a literatura sobre inteligência artificial, trabalho, discriminação algorítmica e opacidade tecnológica. Essa abordagem permite investigar artefatos digitais mesmo sem acesso ao seu código-fonte, observando suas interfaces, funcionalidades, discursos de apresentação, demonstrações, materiais publicitários, manuais e demais rastros públicos disponibilizados pelas próprias plataformas. Assim, em vez de tratar os sistemas como objetos inacessíveis ou inteiramente fechados, a Tecnografia permite examinar como eles se apresentam, quais ações prometem automatizar, quais problemas dizem resolver e quais formas de classificação, triagem e decisão tornam possíveis. Neste trabalho, esses materiais foram compreendidos como vestígios sociotécnicos que permitem identificar como determinadas funcionalidades atuam enquanto componentes de um sistema orientado à automação de decisões no recrutamento. Na pesquisa, identificamos cinco plataformas principais que utilizam inteligência artificial (IA) para funções como triagem automatizada, geração de entrevistas, recrutamento proativo, automação de comunicação e análise preditiva. Embora essas ferramentas prometam eficiência e neutralidade, o artigo alerta para riscos como a ampliação de práticas discriminatórias e a falta de transparência nos algoritmos, muitas vezes operando como "caixas pretas". A discussão crítica aborda os impactos jurídicos e sociais dessas tecnologias, questionando sua capacidade de garantir decisões justas em um contexto marcado por assimetrias de poder.

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Biografia do Autor

Marcos Aragão Couto de Oliveira, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Doutor e mestre em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Especialista em Direito e Processo do Trabalho pela Universidade Candido Mendes (UCAM). Professor do curso de Especialização em Direito e Processo do Trabalho do Instituto de Direito PUC-Rio. Membro dos grupos de pesquisa Trabalho no Século XXI (TRAB21) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Legalité da PUC-Rio.

Fabricio Barili, Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)

Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Doutorando em Computação Aplicada pela Unisinos. Membro do Laboratório de Pesquisa Digilabour. Membro do Surveillance Studies Network.

Publicado

2026-05-23

Como Citar

ARAGÃO COUTO DE OLIVEIRA, Marcos; BARILI, Fabricio. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E RECURSOS HUMANOS:: o uso de sistemas automatizados nos processos de recrutamento e seleção disponíveis no Brasil. Revista da Escola Judicial do TRT4, [S. l.], v. 7, n. 11, 2026. Disponível em: https://periodicos.trt4.jus.br/revistaejud4/article/view/943. Acesso em: 24 maio. 2026.

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